Antes de realmente começarmos as
palestras nas escolas fomos visitá-las. Era só andar meio quarteirão que tropeçávamos
em uma (literalmente). Elas não são bem escolas, como estamos acostumados, são
apenas barracões feitos com telhas de metal, sem luz nem água, algumas com chão
de terra e sem nenhuma janela. Tem escolas que tem mais de um barracão, que foi
a que fomos fazer os exames (ao todo mais de 150 crianças), outras têm apenas
20 alunos, mas já são consideradas escolas e tem uma professora pra todas as
idades de 2 a 10 anos, geralmente.
As escolas são particulares, não
existe escolas publicas aqui, todas são pagas e quanto menos puder pagar, pior
a escola. E nenhuma tem banheiro, todas fazem as necessidades do lado de fora da
escola na terra mesmo. Na verdade praticamente não existem banheiros em Kibera,
só algumas casas maiores (como a da ONG), e para a população em geral (1milhão)
existem apenas 9 estações publicas com chuveiros e vasos sanitários (buracos).
Conversamos com professores e
diretores e agendamos as visitas. Começamos essa semana, na segunda fomos a
primeira havia umas 40 crianças mais ou menos, nós entramos, nos apresentamos,
explicamos porque estávamos lá e a importância de lavar as mãos e quando
deveriam ser lavadas. Depois ensinamos uma música que fizemos bem simples baseada
na que passava no Castelo Rá-Tim-Bum (quando fiquei sabendo das palestras foi a
primeira coisa que me veio a cabeça, aquela música e clip são muito bons!). É
claro que devido as nossa limitações técnicas era só uma frase no mesmo ritmo e
em 4 línguas Inglês, Suahilli, Português e Francês, mas depois reduzimos para
apenas Inglês e Suahilli (não tava dando muito certo).
A versão resumida é essa (usada a partir da segunda escola)
Wash you hands/whash your hands with soap
Oshan mkono/ oshan na sabuni
Desse jeito elas conseguiram entender
e cantar melhor! Depois da música nós dividimos a sala em 3 grupos e entregamos
para um grupo um cartaz que fizemos, para outros entregamos folhas em branco e
giz de cera para todos. Nos em branco ensinamos a contornar as mãos escrever os
nomes dentro e colorir, no que fizemos era pra colorir. Elas adoraram! ficaram
super felizes, principalmente na hora que colocamos os trabalhos delas na
parede, elas ficavam mostrando para outras o que tinham feito, muito animadas.
Depois fomos realmente mostrar
como lavar as mãos, Marielle explicou para todos, depois fizeram uma fila e
todos tiveram a chance de lavar e com sabão.
Hoje fomos em mais duas escolas,
na primeira foi muito bom pois não tinham muitas crianças eram apenas 15, deu
para interagir bem e para que elas entendessem melhor a importância de lavar as
mãos fizemos uma pequena peça de teatro a qual elas também participavam. Tinha
uma mão grande, um sabão gigante e germes pequenos, tudo em cartolina. O sabão
salvava a mão do ataque dos germes. Foi bem bacana acho que elas entenderam
melhor com a demonstração lúdica do que só falando. O grande problema nessa
escola é que mesmo as crianças tendo aprendido bem a importância de lavar as
mãos, a escola não tem água. Conversamos com a professora sobre a importância
ela disse que vai providenciar, veremos.
Mas na segunda escola de hoje não
foi tão bom, pois elas eram muitas! E muito novas, deviam ter mais de 50
crianças de 2 a 5 anos. Não deu para fazer a peça e nem lavar as mãos de
verdade só ensinamos, cantamos e colorimos. Todas são muito comportadas, mesmo
em uma sala minúscula lotada, e sempre me devolviam o giz quando acabavam e
pediam outro.
Semana que vem vamos voltar a
essa escola e falar com as outras turmas, que ao todo tem em média mais umas
cem crianças, ainda temos que ver como vamos dividir. Depois volto a falar desse
projeto.
A seguir – Passeios do final de
semana
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